sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Caminhada

Sei que na minha caminhada tem um destino e uma direção,
por isso devo medir meus passos, prestar atenção no que faço
e no que fazem os que por mim também passam
ou pelos quais passo eu…

Que eu não me iluda com o ânimo e o vigor dos primeiros trechos,
porque chegará o dia em que os pés não terão tanta força
e se ferirão no caminho e se cansarão mais cedo…

Todavia, quando o cansaço houver, que eu não me desespere
e acredite que ainda terei forças para continuar,
principalmente quando houver quem me auxilie…

É oportuno que, em meus sorrisos, eu me lembre
de que existem os que choram, que, assim,
meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem:
por outro lado, quando chegar a minha vez de chorar,
que eu não me deixe dominar pela desesperança,
mas que eu entenda o sentido do sofrimento, que me nivela,
que me iguala, que torna todos os homens iguais…

Quando eu tiver tudo, farnel e coragem, água no cantil,
e ânimo no coração, bota nos pés e chapéu na cabeça, e,
assim, não temer o vento e o frio, a chuva e o tempo…

Que eu não me considere melhor do que aqueles que ficarão atrás,
porque pode vir o dia em que nada terei mais para minha jornada
e aqueles, que ultrapassei na caminhada, me alcançarão
e também poderão fazer como eu fiz e nada de fato fazer por mim,
que ficarei no caminho sem concluí-lo…

Quando o dia brilhar, que eu tenha vontade de ver a noite
em que a caminhada será mais fácil e mais amena;
quando for noite, porém e a escuridão tornar mais difícil a chegada,
que eu saiba esperar o dia como aurora, o calor como bênção…

Que eu perceba que a caminhada sozinho pode ser mais rápida,
mas muito mais vazia…

Quando eu tiver sede, que encontre a fonte no caminho,
quando eu me perder, que ache a indicação, a seta, a direção…

Que eu não siga os que desviam,
mas que ninguém se desvie seguindo os meus passos…

Que a pressa em chegar não me afaste
da alegria de ver as flores simples que estão à beira da estrada,
que eu não perturbe a caminhada de ninguém,
que eu entenda que seguir faz bem, mas que, às vezes,
é preciso ter-se a bravura de voltar atrás
e recomeçar e tomar outra direção…

Que eu não caminhe sem rumo, que eu não me perca nas encruzilhadas,
mas que eu não tema os que assaltam-me, os que embuçam,
mas que eu vá onde devo ir e, se eu cair no meio do caminho,
que fique a lembrança de minha queda
para impedir que outros caiam no mesmo abismo…

Que eu chegue, sim, mas, ainda mais importante,
que eu faça chegar quem me perguntar, quem me pedir conselho,
e acima de tudo, me seguir, confiando em mim !

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tuas mãos

Meu avô, com noventa e tantos anos, sentado debilmente no banco do jardim, não se movia. Estava cabisbaixo, olhando suas mãos. Quando me sentei ao seu lado, nem notou minha presença.

E o tempo passava…

Sem querer incomodá-lo, mas querendo saber como ele estava, lhe perguntei como se sentia.

Levantou sua cabeça, me olhou e sorriu. ‘Estou bem, obrigado por perguntar’, disse com uma forte e clara voz.

Lhe expliquei que não queria incomodá-lo, mas queria ter certeza de que estava bem, já que estava sentado, imóvel, simplesmente, olhando para suas mãos.

Meu avô me perguntou: “Alguma vez já olhastes tuas mãos? Quero dizer, realmente olhou para elas?”

Lentamente soltei minhas mãos das de meu avô, as abri e as contemplei. Virei as palmas para cima e logo para baixo.

Não creio que realmente nunca as havia observado. Queria saber o que meu avô queria dizer-me.

Meu avô sorriu e me disse…

“Pare e pense um momento sobre como tuas mãos tem te servido através dos anos.

Estas mãos, ainda que enrugadas, secas e débeis têm sido as ferramentas que usei toda a minha vida para alcançar, pegar e envolver.

Elas puseram comida em minha boca e roupa em meu corpo. Quando criança, minha mãe me ensinou a juntá-las em oração. Elas amarraram os cadarços dos meus sapatos e me ajudaram a calçar minhas botas. Estiveram sujas, esfoladas, ásperas, entrelaçadas e dobradas…

Foram inábeis quando tentei embalar minha filha recém nascida…

Foram decoradas com uma aliança e mostraram ao mundo que estava casado e que amava alguém muito especial…

Elas tremeram quando enterrei meus pais e esposa, e quando entrei na igreja com minha filha no dia de seu casamento.

Elas têm coberto meu rosto, penteado meu cabelo e lavado e limpado todo meu corpo.

E, até hoje, quando quase nada de mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar e a sentar e ainda se juntam para orar.

Estas mãos têm as marcas de onde estive e a dureza de minha vida.

Mas, o mais importante, é que são estas mãos que Deus tomará nas Suas quando me levar a Sua presença!”

Desde então, nunca mais vi minhas mãos da mesma maneira.

Mas lembro quando Deus esticou Suas mãos e tomou as de meu avô e o levou à Sua presença.

Na verdade, nossas mãos são uma benção.

Cada vez que uso minhas mãos penso em meu avô, e me pergunto:

“Estou fazendo bom uso de minhas mãos?”

E sempre que minha consciência responde que “estou usando minhas mãos para praticar o bem, para trabalhar honestamente, que as estou usando para dar carinho e amparo a quem necessita”, sinto-me em paz…

E agradeço ao Criador por tamanha bênção, esperando que Ele estenda Suas mãos para que, também eu, um dia, possa nelas repousar!

A vida acontece no presente, sempre.

Há somente o hoje, o agora, e este é o seu momento com Deus!

Agradeça, por tudo o que tens na vida… e também pelas tuas mãos que, bondosas, ajudam a tornar o HOJE, um dia MELHOR!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.




A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.



A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.



A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.



A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.



A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.



A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.



A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.



A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Você pode

Você pode curtir ser quem você é, do jeito que você for, ou viver infeliz por não ser quem você gostaria de ser.
Você pode olhar com ternura e respeito para si próprio e para as outras pessoas ou com aquele olhar de censura, que poda, pune, fere e mata, sem nenhuma consideração para com os desejos, limites e dificuldades de cada um, inclusive os seus.
Você pode amar e deixar-se amar de maneira incondicional, ou ficar se lamentando pela falta de gente à sua volta.
Você pode ouvir seu coração e viver apaixonadamente ou agir de acordo com o figurino da cabeça, tentando analisar e explicar a vida antes de vivê-la.
Você pode deixar como está para ver como é que fica ou com paciência e trabalho conseguir realizar as mudanças necessárias na sua vida e no mundo à sua volta.
Você pode deixar que o medo de perder paralise seus planos ou partir para a ação com o pouco que tem e muita vontade de ganhar.
Você pode amaldiçoar sua sorte ou encarar a situação como uma grande oportunidade de crescimento que a vida lhe oferece.
Você pode mentir para si mesmo, achando desculpas e culpados para todas as suas insatisfações ou encarar a verdade de que, no fim das contas, sempre você é quem decide o tipo de vida que quer levar.
Você pode escolher o seu destino e, através de ações concretas caminhar firme em direção a ele, com marchas e contramarchas, avanços e retrocessos, ou continuar acreditando que ele já estava escrito nas estrelas e nada mais lhe resta a fazer senão sofrer.
Você pode viver o presente que a vida lhe dá ou ficar preso a um passado que já acabou – e, portanto não há mais nada a fazer –, ou a um futuro que ainda não veio – e que, portanto não lhe permite fazer nada.
Você pode ficar numa boa, desfrutando o máximo das coisas que você é e possui ou se acabar de tanta ansiedade e desgosto por não ser ou não possuir tudo o que você gostaria.
Você pode engajar-se no mundo, melhorando a si próprio e, por consequência, melhorando tudo que está à sua volta ou esperar que o mundo melhore para que então você possa melhorar.
Você pode continuar escravo da preguiça ou comprometer-se com você mesmo e tomar atitudes necessárias para concretizar o seu plano de vida.
Você pode aprender o que ainda não sabe ou fingir que já sabe tudo e não precisa aprender mais nada.
Você pode ser feliz com a vida como ela é ou passar todo o seu tempo se lamentando pelo que ela não é.
A escolha é sua e o importante é que você sempre tem escolha.
Pondere bastante ao se decidir, pois é você que vai carregar – sozinho e sempre – o peso das escolhas que fizer.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Esvazie os armários de sua vida


Todos os anos, há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico.



Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo. Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.



Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado.



Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido “espetacular” ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos.



Às vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada sabe-se lá porquê.



Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.



Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais.



Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda guardando lá. Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais.



Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia.



Faça uma limpeza nas amizades, aqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os seus.



Aproveite e tire de seu “armário” aquelas pessoas negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam lhe arrastar para o fundo dos seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento.



A insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer companhia, e lá vai você junto com elas.



Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais.



Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa “faxina interior”.



Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade. Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Saber ser feliz

É preciso não pensar na idade mas vivê-la;

Saber ser feliz é preciso antes de tudo encontrar a paciência

suprir a necessidade da mente em busca do dia-a-dia

na consciência de entender que um dia você pode lutar para vencer

mesmo que antes já tivesse sido derrotado mas sem nunca perder as esperanças.

Porque o comodismo é a injustiça da liberdade

que provoca o transtorno do pecado e o desamor

a condição de caminhar pela paz.

E a vida é todo espaço de tempo que temos

para pensar no momento em que estamos consciente do que fazemos

em benefício do amanhã.