segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O circo


Quando eu era adolescente, meu pai e eu estávamos na fila para comprar ingressos para o circo.
Finalmente, havia apenas uma família entre nós e o guichê.
Essa família me causou uma profunda impressão.
Havia oito crianças, provavelmente todas com menos de 12 anos. Podia-se dizer que elas não tinham muito dinheiro. Suas roupas eram baratas, porém limpas. As crianças eram bem comportadas, todas em pé na fila duas a duas de mãos dadas, atrás de seus pais.
Falavam animadamente sobre os palhaços, os elefantes e outras coisas que veriam naquela noite.
Podia-se perceber que nunca tinham ido ao circo.
O programa prometia ser um grande acontecimento em suas vidas jovens.
O pai e a mãe iam à frente do grupo, tão orgulhosos quanto poderiam estar. A mãe segurava o braço do marido e olhava para ele, como se dissesse, “Você é meu cavaleiro com uma armadura brilhante”. O pai sorria cheio de orgulho e olhava para ela, como se respondesse, “Você tem razão.”
A vendedora de ingressos perguntou ao pai quantos ele queria. Ele respondeu, “Por favor, quero oito de crianças e dois de adultos para levar a minha família ao circo”.
A vendedora disse o preço. A mãe ficou cabisbaixa e largou a mão do marido, que ficou com os lábios trêmulos.
Ele perguntou novamente: “Quanto foi que a senhora disse?” A vendedora disse novamente o preço. O homem não tinha dinheiro suficiente.
Como poderia dizer a seus oito filhos que não tinha dinheiro suficiente para levá-los ao circo?
Vendo o que acontecia, meu pai colocou a mão em seu bolso, pegou uma nota de vinte dólares e a deixou cair no chão.
Meu pai se abaixou, pegou a nota, tocou no ombro do homem e disse “Senhor, com licença, isto caiu do seu bolso.”
O homem entendeu o que estava acontecendo. Não estava pedindo esmolas, mas certamente apreciou a ajuda em uma situação terrivelmente constrangedora.
Ele olhou bem nos olhos do meu pai, pegou a sua mão nas suas, apertou com força a nota de vinte dólares e, com os lábios trêmulos e uma lágrima rolando em seu rosto, respondeu “Obrigado, senhor. Isso significa muito para mim e para a minha família.”

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quero voltar a acreditar


Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade…
Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror… Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores… O que aconteceu conosco?
Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço?
A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã! E definitivamente bela, como cada amanhecer.
Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases. Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia? Quem sabe?… Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem… Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Errar é humano


Vivemos e aprendemos com nossos erros.
Choramos, mais depois sorrimos.
Crescemos com palavras, atos, sentimentos e ilusões.
Morremos aos poucos por orgulho, críticas e por não nos perdoar.
Humanos somos quando temos caráter, respeito, dignidade e HUMILDADE
Não quando somos covardes, baixos, idiotas e passamos por cima das pessoas ao nosso redor para conseguirmos o que realmente desejamos.
Muitas vezes nos arrependemos dos nossos erros tarde demais, de uma forma que não dá para voltar atrás…
Muitas vezes praticamos atos indesejáveis, atrapalhando as pessoas que adoramos…
Muitas vezes esquecemos do mundo à nossa volta para lutarmos por uma coisa sem sentido…
Muitas vezes choramos por ter feito o que fizemos, e não ter sido quem somos…
Muitas vezes pessoas nos mostram como se arrepender a tempo e como tentar concertar…
Muitas vezes estamos errados no sentido geral do mundo, não no sentido geral da gente…
E mesmo que venha forte a tempestade e mesmo que o mundo caia sobre nós, nada nem NINGUÉM apagará o que ficou.
Se errei ou acertei, isso já não importa.
O que importa é que novamente estou aprendendo.
Aprendendo e crescendo, com meus atos, com os atos das pessoas em minha volta.
Aprendi que para manter meu sorriso é necessário primeiro que as pessoas de minha volta sorriam.
Seja como for, seja com quem for, seja como vocês queriam que fosse.
Não basta apenas me perdoar, é preciso me encontrar.
Quem sabe na imensidão do paraíso alguém possa me amar.
Mais feliz eu aprendi que só estarei quando vocês estiverem felizes.
Seja como for, seja com quem for, seja como vocês queriam que fosse, o importante é vocês serem felizes. Eu?
Ou melhor, o resto, que se exploda.
Não me arrependo de ter feito uma coisa que eu queria fazer.
Arrependo-me de ter escolhido a hora errada para fazê-la.
Arrependo-me de passar por cima de pessoas que merecem respeito, que são especiais para as pessoas em sua volta, que são legais, que são HUMANAS.
Arrependo-me de não ter aproveitado a sorte na hora certa.
Arrependo-me de ter acreditado em pessoas que mal conhecia.
Arrependo-me de não ser tudo que eu deveria ser.
Arrependo-me de não ter acordado a mais tempo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cuidado com a imitação…


Um discípulo que amava e admirava o mestre, resolveu observá-lo em todos os detalhes, acreditando que ao fazer o que ele fazia, iria também adquirir a sua sabedoria.
O mestre só usava roupas brancas, e o discípulo passou a vestir-se da mesma maneira. O mestre era vegetariano, e o discípulo deixou de comer qualquer tipo de carne, substituindo sua alimentação por ervas. O mestre era um homem austero, e o discípulo resolveu dedicar-se ao sacrifício, passando a dormir numa cama de palha.
Passado algum tempo, o mestre notou a mudança de comportamento e perguntou ao seu discípulo o que estava acontecendo.
Estou subindo os degraus da iniciação. O branco de minha roupa mostra a simplicidade da busca, a alimentação vegetariana purifica o meu corpo, e a falta de conforto faz com que eu pense apenas nas coisas espirituais.
Sorrindo, o mestre o levou até um campo onde um cavalo pastava. Você passou este tempo olhando apenas para fora, quando isso é o que menos importa. Está vendo aquele animal ali? Ele tem a pele branca, come apenas ervas, e dorme num celeiro com palha no chão.
Você acha que ele tem cara de santo, ou chegará algum dia a ser um verdadeiro mestre?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Afeto


Quando há calor humano, o relacionamento pai-filho ganha mais ternura, mais unidade e consistência.
O afago nos braços, o contato da pele, a suave canção de ninar…
Renove a cada dia a emoção de ter junto ao peito o corpinho daquele que é para você a mais importante razão de viver. Converse com ele, ele o entende pelo idioma dos anjos. Dê-lhe afeto explícito. É fantástico o movimento das mãos de um pai acarinhando o filho.
E quando ele crescer? Ponha-o nos ombros, faça-o sentir-se um gigante e, do alto, olhar o mundo com um olhar altivo.
Não se acanhe nem reprima os sentimentos. O contato com o filho é bem-aventurado por Deus.
Abrace-o, beije-o, faça um pacto de amor e amizade eterna. Viva essa experiência e energize-se nesse inesgotável manancial chamado afeto

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Regras de boas convivências


Seja alegre e comunicativo. Um “bom dia”, um “alô” custam pouco e rendem muito.
Seja simples e modesto. Se você possui qualidades “notáveis”, cedo ou tarde os outros notarão isso, como também descobrirão suas imperfeições.
Não economize sorriso: de todas as moedas circulantes no comércio da vida, o sorriso é a que compra maior porção de alegria pelo menor preço.
Por falar nisso, não compre briga porque sai caro.
Interesse-se pelos outros. Só assim os outros acharão você interessante.
Seja um bom conversador deixando que os outros falem mais.
Seja otimista. Quem vê tudo na existência pelo lado sombrio do derrotismo raramente cruza com amigos na rua porque a maioria deles dobra a esquina para escapar do encontro.
Faça aos outros, em lugar de críticas, quantos elogios puder fazer honestamente. As pessoas de um modo geral adoram ouvi-los e quando os recusam talvez no fundo esperem ser elogiados por isso.
Com os inimigos, declarados ou gratuitos, mantenha a sobriedade do cavalheirismo. Não fale mal por trás nem perca uma oportunidade de reconciliação, dando o primeiro passo, pois nada lhe garante que no dia seguinte um deles não seja a única pessoa capaz de “salvar a sua vida”.
Compreenda que as pessoas que pensam diferente estão sinceramente convencidas de que o errado é você

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A balança


Quando menino eu vivia brigando com Beto, meu melhor amigo Beto. Um dia, quando corri para casa e procurei mamãe para queixar-me. Ela me ouviu e disse o seguinte:
- Vai buscar a sua balança e os blocos.
- Mas, o que tem isso a ver com o Beto?
- Você verá… Vamos fazer uma brincadeira. Primeiro vamos colocar neste prato da balança um bloco para representar cada defeito do Beto. Conte-me quais são.
- Fui relacionando-os e certo número de blocos foi empilhado daquele lado.
- Você não tem nada mais a dizer? Eu não tinha e ela propôs: Então você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será um bloco no outro prato da balança. Ele não deixa você andar em sua bicicleta? Não reparte o seu doce com você? Ela foi colocando os blocos do outro lado. De repente eu percebi que a balança balançava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do Beto.
Dei uma risada e mamãe observou:
Você gosta do Beto e ficou alegre por verificar que as suas boas qualidades ultrapassam os seus defeitos. Isso sempre acontece, conforme você mesmo vai verificar ao longo de sua vida.
E de fato. Através dos anos aquele pequeno incidente de pesagem tem exercido importante influência sobre meus julgamentos. Antes de criticar uma pessoa, lembro-me daquela balança e comparo seus pontos bons com os maus. E, felizmente, quase sempre há uma vantagem compensadora, o que fortalece em muito a minha confiança nas pessoas.