sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A massacrante felicidade dos outros

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito claras.
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Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?
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Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: ‘Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento’ .
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Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.
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As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.
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Ao amadurecer, descobrimos que estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados pra consumo externo.
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‘Todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, social e filosoficamente corretos. Parece que ninguém, nenhum deles, nunca levou porrada. Parece que todos têm sido campeões em tudo’.
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Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.
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Mas tem.
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Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige?
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Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Será bom só sair de casa com alguém todo tempo na sua cola a título de segurança? Estarão mesmo todas essas pessoas realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está em casa, lendo, desenhando, ouvindo música, vendo seu time jogar, escrevendo, tomando seu uisquinho?

Tenha certeza que as melhores festas acontecem sempre dentro do nosso próprio apartamento.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Caminhada


Às vezes nos sentimos meio perdidos, sozinhos e sentimos a necessidade de buscar novos caminhos para nossas vidas…
Nestas caminhadas encontramos muitas pedras …
Que lapidadas transformam-se em uma jóia preciosa: a experiência!
Encontraremos pessoas mais novas …
E com elas reaprendemos a inocência perdida …
Encontraremos pessoas mais idosas e com elas aprenderemos a ser maduros …
Aprenderemos que o fogo que queima, também esquenta as noites de frio …
Em algum momento nossa caminhada será interrompida e aprenderemos que foi apenas uma pausa para o descanso da alma …
As vezes achamos que perdemos algumas pessoas, mas depois percebemos que elas é que nos perderam.
Sentiremos medo e solidão, mas encontraremos sempre a mão amiga daquele que morreu por nós…
E se achamos que a caminhada é longa demais, temos a garantia do abraço sempre aconchegante daqueles que também dariam a vida por nós: nossos pais.
Ao final desta grande caminhada que se chama VIDA percebemos que o que realmente importa são aquelas coisas que podemos carregar dentro de nossos corações.
Portanto, guarde somente os bons sentimentos. Assim chegaremos com o coração leve e a mala cheia de boas lembranças …

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Aceitação


A primeira impressão que temos quando ouvimos ou pensamos em aceitar, seja uma pessoa, um fato ou uma circunstância é de que estaremos nos submetendo ou nos subjugando, desistindo de lutar, sendo fracos.
De verdade, se quisermos modificar qualquer aspecto da nossa vida e de nós mesmos, devemos começar aceitando.
A aceitação é detentora de um poder transformador que só quem já experimentou pode avaliar.
É difícil aceitar uma perda material ou afetiva;uma dificuldade financeira; uma doença; uma humilhação; uma traição.
As pessoas são como são, dificilmente mudam. Não podemos contar com isso.
A única pessoa que podemos mudar, somos nós mesmos, portanto, se não houver aceitação, o que estaremos fazendo é insensato, é insano.
A aceitação é uma força que desconhecemos porque somos condicionados a lutar, a esbravejar, a brigar.
Aceitar não é desistir, nem tão pouco resignar-se.
Aceitar é estar lúcido do momento presente e se assim a vida se apresenta, assim deve ser.
Tudo está coordenado pela Lei da ação e reação.
No instante em que aceitamos, desmaterializamos situações que foram criadas por nós, soluções surgem naturalmente através da intuição ou fatos trazem as respostas e as saídas para o problema.
Tudo é movimento. Nada é permanente.
A nossa tendência “natural” é resistir, não aceitar, combater tudo o que nos contraria e o que nos gera sofrimento. Dessa forma prolongamos a situação.
Resistir só nos mantém presos dentro da situação desconfortável, muitas vezes perpetuando e tornando tudo mais complicado e pesado.
Quando não aceitamos nos tornamos amargos, revoltados, frustrados, insatisfeitos, cheios de rancor e tristeza, e esses padrões mentais e emocionais criam mais dificuldades, nunca trazem solução.
Aceitar é expandir a consciência e encontrar respostas, soluções, alívio.
Aceitar é o que nos leva à Fé.
É fundamental entender que aceitar não significa desistir, é seguir adiante com otimismo.
Ter muitos propósitos a serem atingidos é nossa atitude saudável diante da vida.
Aceitar se refere ao momento presente, ao agora.
No instante que você aceita, você se entrega ao que a vida quer lhe oferecer.
Novas idéias surgem para prosseguir na direção desejada, saindo do sofrimento.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Caminhada

Sei que na minha caminhada tem um destino e uma direção,
por isso devo medir meus passos, prestar atenção no que faço
e no que fazem os que por mim também passam
ou pelos quais passo eu…

Que eu não me iluda com o ânimo e o vigor dos primeiros trechos,
porque chegará o dia em que os pés não terão tanta força
e se ferirão no caminho e se cansarão mais cedo…

Todavia, quando o cansaço houver, que eu não me desespere
e acredite que ainda terei forças para continuar,
principalmente quando houver quem me auxilie…

É oportuno que, em meus sorrisos, eu me lembre
de que existem os que choram, que, assim,
meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem:
por outro lado, quando chegar a minha vez de chorar,
que eu não me deixe dominar pela desesperança,
mas que eu entenda o sentido do sofrimento, que me nivela,
que me iguala, que torna todos os homens iguais…

Quando eu tiver tudo, farnel e coragem, água no cantil,
e ânimo no coração, bota nos pés e chapéu na cabeça, e,
assim, não temer o vento e o frio, a chuva e o tempo…

Que eu não me considere melhor do que aqueles que ficarão atrás,
porque pode vir o dia em que nada terei mais para minha jornada
e aqueles, que ultrapassei na caminhada, me alcançarão
e também poderão fazer como eu fiz e nada de fato fazer por mim,
que ficarei no caminho sem concluí-lo…

Quando o dia brilhar, que eu tenha vontade de ver a noite
em que a caminhada será mais fácil e mais amena;
quando for noite, porém e a escuridão tornar mais difícil a chegada,
que eu saiba esperar o dia como aurora, o calor como bênção…

Que eu perceba que a caminhada sozinho pode ser mais rápida,
mas muito mais vazia…

Quando eu tiver sede, que encontre a fonte no caminho,
quando eu me perder, que ache a indicação, a seta, a direção…

Que eu não siga os que desviam,
mas que ninguém se desvie seguindo os meus passos…

Que a pressa em chegar não me afaste
da alegria de ver as flores simples que estão à beira da estrada,
que eu não perturbe a caminhada de ninguém,
que eu entenda que seguir faz bem, mas que, às vezes,
é preciso ter-se a bravura de voltar atrás
e recomeçar e tomar outra direção…

Que eu não caminhe sem rumo, que eu não me perca nas encruzilhadas,
mas que eu não tema os que assaltam-me, os que embuçam,
mas que eu vá onde devo ir e, se eu cair no meio do caminho,
que fique a lembrança de minha queda
para impedir que outros caiam no mesmo abismo…

Que eu chegue, sim, mas, ainda mais importante,
que eu faça chegar quem me perguntar, quem me pedir conselho,
e acima de tudo, me seguir, confiando em mim !