quarta-feira, 6 de março de 2013

Um velho pinheiro


Um dia, diante da velha árvore torta, um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que “conseguisse ver o pinheiro na posição correta”.
Todos se aproximaram e ficaram pensando na possibilidade de ganhar a casa e o prestígio, mas como seria “enxergar o pinheiro na posição correta”?
O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que ser no mínimo contorcionista. Ninguém ganhou o prêmio e o velho sábio explicou ao povo ansioso que, ver aquela árvore em sua posição correta, era “vê-la como uma árvore torta”. Só isso!
Nós temos, em nós, esse jeito, essa mania de querer “consertar as coisas, as pessoas, e tudo o mais” de acordo com a nossa visão pessoal. Quando olhamos para uma árvore torta, é extremamente importante enxergá-la como árvore torta, sem querer endireitá-la, pois é assim que ela é.
Se você tentar “endireitar” a velha árvore torta, ela vai rachar e morrer, por isso é fundamental aceitá-la como ela é.
Nos relacionamentos, é comum um criar no outro expectativas próprias, esperar que o outro faça aquilo que ele “sonha” e não o que o outro pode oferecer.
Sofremos antecipadamente por criarmos expectativas que não estão alcance dos outros. Porque temos essa visão de “consertar” o que achamos errado.
Se tentássemos enxergar as coisas como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado.
Os pais sofreriam menos com os seus filhos, pois, conhecendo-os, não colocariam expectativas, que são suas, na vida dos mesmos, gerando crianças doentes, frustradas, rebeldes e até vazias. Tente, pelo menos tente, ver as pessoas como elas realmente são, pare de imaginar como elas deveriam ser, ou tentar consertá-las da maneira que você acha melhor.
O torto pode ser a melhor forma de uma árvore crescer.
Não crie mais dificuldades no seu relacionamento, se vemos as coisas como elas são, muitos dos nossos problemas deixam de existir, sem mágoas, sem brigas, sem ressentimentos.
E, para terminar, olhe para você mesmo com os “olhos de ver” e enxergue as possibilidades, as coisas que você ainda pode fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja torta aos olhos

O Esquilo

Havia na floresta uma nogueira frondosa
Que atingida por um raio estava oca !
Um lindo esquilo, achou-a maravilhosa….
E se apressou em fazer dela a sua toca.

Construiu com folhas secas o seu ninho
No tronco oco, causado pela fagulha.
A nogueira deu-lhe morada; e o danadinho
Ainda enchia com os frutos sua tulha.

Passou ali a morar solitariamente,
Lugar calmo, sereno, tranqüilo
Ali passava os dias, feliz e contente
O pequeno, irrequieto e lindo esquilo

Quando saía à procura d’outra comida
Sempre trazia nas bolsas de sua boca,
Reforço da provisão que era recolhida
P’ra suportar o inverno em sua toca.

A comida estocada era bastante
E daria boa sobra certamente.
Não fosse o pedido que mais adiante
De seu compadre, que se dizia doente.

O inverno ainda mal se aproximava
Chegou seu compadre pedindo arrego!
Pois na primavera e verão que acabara,
Sua doença impediu-o de prover aconchego.

Condoído e, como o bom samaritano
Acolheu seu compadre, no novo ninho.
Prometendo no verão; em vil plano
Ajudar, nova estocagem, com carinho.

A provisão de grãos era abundante
Para um esquilo no inverno alimentar,
Com a chegada do compadre suplicante
De certo, haveria privação; ia faltar.

Na seca, a comida era escassa e distante
Não dava tempo, de mais arrecadar.
E por mais que tentasse ir adiante,
Sempre voltava, sem nada para guardar.

O inverno chegou úmido e frio
O compadre de comer até sarou
Comia sem parar e sem fastio….
Até que um dia a provisão acabou !

O anfitrião foi em busca de comida
Achou pouca, com que mal se alimentou.
Enquanto o compadre ficou na torcida
Dum lauto almoço, como nunca se privou.

Do dia seguinte, agastado pela fome,
Saiu, dizendo ir em busca de comida…
Chegou à noite não voltou, isto consome
O bom esquilo. que o acolheu e deu guarida.

Logo ao alvorecer, muito preocupado
Não cansou de procurar o seu compadre,
Correu, por dias a fio e, já cansado,
Ao passar perto da porta da comadre

Resolveu nela descansar ao fim do dia.
P’ra em seguida nova busca começar,
Lá chegando, chamou-a com alegria !
E pediu, para aquela noite ali passar.

A comadre disse logo, vamos subindo
A toca é sua e ainda há provisões.
Surpresa! A comadre, estava-a repartindo,
Com aquele que buscava em todas regiões.

Na toca da sua comadre, igual ele falou:
Que chegou o inverno e em razão da doença,
Estava sem provisões; Nada arrecadou,
Esta, condoída, acreditou na pretensa.
E como seu compadre, na toca o acolheu
Com ele, dividindo suas provisões.
Se o inverno for rigoroso, meu Deus!

Sujeitou-se a também, passar privações.

O compadre percebendo o engodo
Confabulou à comadre o que ocorria
Esta, ao ver que ajudava um preguiçoso…
No dia seguinte, o esquilo despedia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Rir é recomeçar

São pequenas as coisas com que aprendemos muito: num dia de verão, eu

estava na praia, espiando duas crianças na areia. Trabalhavam muito,

construindo um castelo de areia molhada com torres, passarelas e

passagens internas. Quando estavam perto do final do projeto, veio uma onda e destruiu tudo, reduzindo o castelo a um monte de areia e

espuma.

Achei que as crianças iriam cair no choro, depois de tanto esforço e

cuidado. Mas tive uma surpresa: em vez de chorar, elas correram para a praia, fugindo da água, rindo, de mãos dadas e começaram a construir outro castelo.

Compreendi que havia recebido ali uma importante lição: tudo em nossas vidas, todas as coisas que gastam tanto de nosso tempo e de nossa energia para construir, tudo é passageiro, tudo é feito de areia; o que permanece é só o relacionamento que temos com as outras pessoas.

Mais cedo ou mais tarde, uma onda virá e destruirá ou apagará o que

levamos tanto tempo para construir. E quando isso acontecer, somente

aquele que tiver as mãos de outro alguém para segurar será capaz de

rir e recomeçar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.

Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você
ser menina.

Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo
primeiro passo.

O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol,
então?

E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce
diferente de você.

Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho,
escovar os dentes, estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo
para você ser uma pessoa bacana.

Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar
palavrão.

Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.
E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo,
pelo primeiro amasso.

Depois começou a torcer pela sua liberdade.
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.
Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.
Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais.
Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado.
Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou.
Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.
Na faculdade, então, era torcida pra todo lado.
Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o
preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro.
Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo,
muito magro. Descobriu que ela torcia igual a você.

E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.
Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel.
E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.
Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele.
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha
conquistado algumas coisas.

Mas muita gente ainda torce por você!!!